03 12 / 2011
Os Muppets: 3/5

Depois de 12 anos longe dos cinemas e outro tanto sem séries regulares na TV, os Muppets, como franquia popular que são (ou foram), precisavam de um reboot, um recomeço, algo que os apresentasse a novas gerações de pequenos espectadores do Disney Channel. Esse tipo de manobra - bem comum nos últimos 10 anos, vide os Batmans de Christopher Nolan e o próximo Homem-Aranha - geralmente significa 1) esquecer tudo o que foi feito anteriormente em determinada franquia e 2) fingir que a plateia é burra o suficiente para não se lembrar de ter gasto dinheiro com isso há 5 ou 6 anos.
Os personagens de Jim Henson ganham um recomeço no cinema sem fazer nada disso. Os Muppets tem consciência de que é um reboot, e de que reboots invariavelmente são uma picaretagem. O filme pisca o tempo todo para a plateia, lembrando-a de que foi feito para reviver uma franquia combalida, mas nunca se esquece de que os Muppets já estiveram por aqui, em dezenas de outros filmes, séries e especiais para a TV. Ele lida com o público com franqueza, assumindo que ninguém se lembrava direito e/ou dava a mínima para o paradeiro de Miss Piggy, Caco e cia.
Uma participação especial de uma jovem estrela Disney, já próxima do final, soa especialmente engraçada por ser, a meu ver, a mais realista delas: a garota realmente deve estar lá só porque o agente dela pediu.
Um heróico Jason Segel toma pra si, dentro e fora das telas, o papel de salvador da memória afetiva de milhões de adultos que cresceram assistindo ao Muppet Show e a Muppets Babies (a minha geração). Ele projeta em Walter, seu irmão-boneco no filme, todo o amor que sente pelos personagens (Segel já disse que os Muppets foram “sua primeira infância cômica”).
Aliado à sinceridade desconcertante com que trata esse retorno, essa carga de carinho faz toda a diferença.