21 12 / 2011

Missão: Impossível - Protocolo Fantasma

Não é que é mesmo uma beleza?
(contém pequenos spoilers

Missão: Impossível - Protocolo Fantasma tem sido tratado como um retorno à forma de Tom Cruise, mas é outro nome que me chama a atenção: Brad Bird. O diretor talentoso das animações O Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille faz sua estreia em live action aqui. E chega com os dois pés na porta. É o melhor filme de ação do ano. 

Parte do sucesso de Bird é deixar Cruise, 49 anos, à vontade. Ele está relaxado e se levando bem menos a sério - chega a brincar com a própria canastrice no clímax do filme. Interessante ver como o Ethan Hunt deste M:I é um personagem completamente diferente do Ethan Hunt modelo-de-comercial-de-carros-esportivos do M:I de John Woo, por exemplo. O Ethan Hunt versão 2011 tem energia, vivacidade. Ele erra, quebra a perna, se fode e faz piadas. É claro que, ao final, terá tudo sob controle - não seria um personagem icônico se isso não acontecesse.

Mas este M:I me parece um filme totalmente diferente dos outros três, muito pelo dedo de Brad Bird. A ação é desenfreada e tensa, mas nunca hiperbólica a ponto de se tornar paródia. As sequências são das mais claras e bem montadas que vejo em muito tempo: o espectador está desde sempre no centro dos acontecimentos e jamais perde a noção do que está acontecendo na tela (nem quando uma tempestade de areia reduz a visibilidade de Hunt a algo próximo de zero). Fãs de Os Incríveis já estavam acostumados a esse cuidado de Bird com a ação. A animação da Pixar deve ter funcionado como uma carta de intenções para que o diretor chegasse até aqui.

Toda a sequência em Dubai, uma obra-prima da montagem e dos efeitos sonoros que ganha muito em Imax, passa como um curta em 3 atos bem definidos. Bird a inicia preparando o espectador para uma coisa (uma missão envolvendo as clássicas máscaras da série) e, instantes depois, o tira dessa zona de conforto e obriga os personagens a contarem pura e exclusivamente com a sorte.

Este é um filme em que muita coisa dá errado para os protagonistas, e diferencial de Protocolo Fantasma reside aí. Missões são abortadas no meio, máscaras não funcionam, mensagens não se autodestroem, gadgets importantes dão defeito (por Deus, até a IMF sai de cena em determinado momento!). Esses bugs, que funcionam como alívio cômico, ao mesmo tempo agem como multiplicadores de tensão.

É como se Bird despisse M:I de alguns de seus ícones mais fortes para criar o ambiente instável, com clima de tudo pode acontecer, que faltava ao anterior, dirigido por J. J. Abrams. Uma decisão acertadíssima em uma franquia que precisava urgentemente de algumas novidades e de um diretor cuidadoso e vibrante como ele.