03 1 / 2012
Michel Teló
Calma. A gente concorda que Ai, Se Eu Te Pego é meio chata. Que é repetitiva, boba, inofensiva. Que pegou na Europa porque lá agora é inverno e nesta época eles adoram adotar canções mais “quentes”, que lembram o verão e vêm com uma coreografia embutida. Europeu adora coreografia em música vinda de “terras exóticas”: lembre-se de Tic Tic Tac do Carrapicho (hit por lá também) e da Macarena.
A gente concorda em tudo isso. Não precisa fechar a janela do tumblr e me bloquear no Facebook.
Calma.
Ponto pacífico: ele é o maior fenômeno pop brasileiro em termos de alcance global desde… sei lá… o Sepultura? (alguém lá no fundo gritou “CSS!”. Eu espero que você esteja brincando). A Forbes meio que concorda. Os quase 100 milhões de views de Ai, Se Eu Te Pego no YouTube esfregam isso na nossa cara. O clipe tem mais visualizações do que o vídeo de Someone Like You da Adele.
Como fenômeno pop, Michel Teló começa a cair nas graças da intelligentsia mais de uma década depois de reunir multidões em shows do Tradição, a banda que o revelou. É um caminho clichê, até. Sair do país para ser reconhecido pela elite daqui.
Só que não dá pra enxergá-lo como fenômeno acidental, como apenas o cara com a música certa na hora certa. Não é só isso. Teló é inegavelmente talentoso e carismático. E quando se arrisca um pouquinho no repertório, prova que tem potencial pra coisas maiores.
Em Coincidência, por exemplo, a introdução que grita “WILCO!” talvez faça você se lembrar que a distância entre o sertanejo do seu pai e o alt. country que você ama não é tão grande assim:
E a interpretação dele para Nuvem de Lágrimas é digna da beleza dessa música:
Você ainda tem raiva dele por qual motivo, exatamente?
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